terça-feira, 6 de dezembro de 2011

QUESTÃO PROPOSTA

Um dos temas consensuais no debate liberalismo/comunitarismo incide no reconhecimento da importância fulcral da articulação entre os conceitos de justo e de bem. Enquanto os antigos colocavam a questão de que o bem levaria à melhor forma de vida (eudaimonia); os modernos preocupam-se com a questão do justo, isto é, como se deve agir, já não em relação ao bem, à felicidade, mas em relação às condições que tornam possível a procura do bem, conduzida por cada indivíduo (dever). Discorra sobre a afirmação acima e justifique em seu comentário um posicionamento contra ou a favor da escolha do justo sobre o bem.

13 comentários:

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  2. No sentido de "Prioridade do justo sobre o bem" (tese central do pensamento ético moderno e contemporâneo)esta afirmação tem vantagens, pois oferece uma justificação da moral mais sólida do que a justificação antiga, porque não depende de pressupostos empíricos, parece mais aplicável num mundo onde a obrigação moral deve coabitar com uma pluralidade crescente de concepções do bem.

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  3. ALUNO: AVELAR
    A teoria da justiça dos liberais é interpretada como somente procedimental e deontológica,na qual imperaria uma neutralidade do Estado e das Leis, com uma concepção ética antiperfeccionista, que estabelece uma prioridade absoluta do justo em relação ao bem.
    A crítica comunitarista sobre a prioridade do Justo em relação ao Bem, aponta a impossibilidade de separação entre a esfera pública e a esfera privada,em função de que determinadas visões morais incluem como parte desta ética uma visão global do indivíduo, não podendo distinguir as concepções éticas das atuações e escolhas públicas.
    Para os comunitaristas, os liberais estariam simplesmente preocupados com a questão de como estabelecer princípios de justiça que poderiam determinar a submissão voluntária de todos os indivíduos racionais, mesmo de pessoas com visões diferentes sobre a vida boa.O que se estabelece como crítica é que, para os comunitaristas, os princípios morais só podem ser tematizados a partir de sociedades reais, e a partir das práticas que prevalecem nessas sociedades que são baseadas na tradição, e na moral efetivada.Os comunitaristas supõem que as sociedades são comunidades constituídas em vista de bens comuns.

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  4. Para os modernos o justo sobrepõe o bem, pois o justo é um mecanismo da exaltação da moral abstrata, já o bem é uma idéia de construção da lei, não se importando assim com os fins, mas sim com os meios. Penso que o mais correto é a visão comunitarista que visa os fins alcançados através de ações praticadas em função da construção do bem, do social.

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  5. O liberalismo traz consigo a herança de Locke, Hobbes, Kant, Stuart Mill, dentre outros, onde compartilham com a idéia da liberdade de consciência, respeito pelo direito individual, pois em suas concepções o individuo está sempre sendo visto de forma individual, é o “eu” separado da construção histórica. Diferentemente das concepções comunitaristas, onde o individuo é considerado membro inserido numa comunidade política. No comunitarismo o individuo tem a obrigação ética para com o social, o outro, pois não há um “eu” fora do social. Os comunitaristas têm simpatia pela ética das virtudes e uma concepção política com muito lugar para a história; isso porque tem herança aristotélica, hegeliana.
    Com relação a concepção de bem e justo de ambas as partes, é bem clara a distinção existente, pois na concepção dos liberais o justo deve ter primazia sobre o bem, pois é deontológica; o papel do Estado é somente de assegurar a convivência de forma pacífica dos indivíduos, ele se coloca de forma neutra na sociedade contratual. Já na concepção dos comunitaristas o bem deve ter primazia sobre o justo, pois é teleológica, onde supõem que as sociedades são comunidades constituídas em vista de bens comuns.
    Como foi colocado, e concordo, tendo em vista à sociedade em que estamos encerradas, a que mais convem são as idéias dos liberalistas, pois como estar dito no texto, são teorias que oferece uma justificativa mais sólida, apesar de todas as críticas referentes as teorias e com todos os seu déficit.

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  6. Um dos temas consensuais no debate liberalismo/comunitarismo é a oposição filosófica entre os conceitos de justo e de bem. Os antigos colocavam a questão de qual o bem, que sendo objeto do meu desejo me levaria à melhor forma de vida (eudaimonia); já os modernos preocupam-se com a questão do justo, isto é, como é que eu devo agir em relação às condições que tornam possível a procura do bem, conduzida por cada indivíduo (dever). As éticas pré-iluministas tinham como pressupostos o raciocínio que consiste em deduzir o telos a partir da natureza humana, as éticas iluministas rejeitaram qualquer perspectiva teleológica da natureza humana ao não aceitarem a ideia do Homem como possuidor de uma essência que definisse o seu verdadeiro fim. Acredito que a tese central do pensamento ético moderno contemporâneo (a afirmação da prioridade do justo sobre o bem) oferece uma justificação da moral mais sólida do que a justificação dos antigos, porque não depende de pressupostos empíricos. A obrigação moral deve coabitar com uma pluralidade crescente de concepções do bem. Alem disso, a atenção deslocou-se das concepções substanciais do bem em direção às noções de autonomia moral e de liberdade individual.

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  7. Ao contextualizarmos a oposição filosofica entre os conceitos de justo e de bem verificamos que se trata de um dos temas principais da tradição filosofica ocidental, traçando assim, uma fronteira entre o pensamento moral antigo e modernos. Este primeiro, visa a questão do bem como sendo objecto do meu desejo, me levaria a uma vida melhor, dizia respeito à questão da verdadeira felicidade humana, provida pela prática das virtudes, eudaimonia. Ao passo que o sengundo, preocupavam-se com a questão do justo, a preocupação deles era de que maneira agir, esta perspectiva, ja não estava levando em consideração a felicidade, e sim uma relação às condições que proporcionam o bem, partindo assim como se fosse um dever. A noção moderna de dever foi uma maneria de libertar a ética das questões de conteúdo existencial demasiado subjetiva e encontrar um Bem como principio formal, que uma vez aplicado seria o critério de valor moral objetivo de toda e qualquer ação, generalização do coneito de Deus. A noção antiga, diza respeito à questão acerca da verdadeira felicidade humana, provida pela prátiva das virtudes. A tese central do pensamento ético moderno e comtemporâneo, advem da seguinte afirmação "prioridade do justo sobre o bem", esta oferece uma justificação moral mais sólida do que a justificação antiga, por que não depende apenas de pressupostos empiricos, pois a obrigação moral deve entrelaçar com uma pluralidade crescente de uma concepção de bem, pois a atenção passou das concepções do bem em direção às noções de autonomia moral e uma liberdade humana. Esta nova questão de colocar a questão moral implica uma distinção de principio entre a moral pessoal, de cada individuo e a esfera do politico, do coletivo.

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  8. ALUNO: JOSÉ LUIS DE BARROS GUIMARÃES

    A filosofia Social trás para o escopo da discussão o debate existente entre comunitários e liberais, uma vez que os primeiros (comunitaristas) trabalham com a ideia de Bem comum, e os últimos (os liberais) trabalham com o princípio de justiça. É importante esclarecermos, antes de tecermos comentários a respeito dessas correntes ou do pensamento político, que não existe o Comunitarismo e o Liberalismo. O que existe efetivamente são comunitaristas e liberais que trabalham com elementos comuns dentro dessas linhas de pensamento mencionadas acima. É bastante comum encontrarmos autores comunitaristas discordarem entre si, assim, como o oposto. Tendo em mente essa linha de pensamento o que será feito é um breve comentário a respeito da filosofia de dois autores representantes dessas correntes: Alasdair MacIntyre e Jonh Rawls.

    Jonh Rawls, herdeiro da tradição liberal, acredita que para possamos construir uma sociedade igualitária é necessário que os indivíduos - que vivem no interior de uma determinada sociedade - formulem princípios justos de justiça capazes de estruturar e organizar uma determinada sociedade. O autor de Teoria da Justiça apresenta-nos um método composto basicamente por três conceitos: posição original, véu da ignorância e o equilíbrio reflexivo. A posição original e o véu da ignorância é um recurso procedimental para que os indivíduos possam encontrar os princípios justos desprovidos dos preconceitos e bens particulares, uma vez que os mesmos devem ser estabelecidos a partir de um acordo existente entre os indivíduos. Rawls reconhece que no interior de uma determinada sociedade existem grupos sociais que possuem reivindicações particulares acerca daquilo que seria o bem. O equilíbrio reflexivo seria, segundo o autor liberal, aquilo que iria equiparar os princípios de justiça, que possuem a função de regulamentar a sociedade, e os bens particulares reivindicados por pessoas ou grupos sociais. Podemos observar que a noção de bem trabalhada em uma dimensão comunitária, mas, sim particulares sendo os princípios de justiça aquilo que teria a capacidade de regulamentar e mitigar os problemas existentes no interior de uma determinada comunidade.

    Alasdair MacIntyre, representante do comunitárismo, contrapõem-se a tese liberal rawlsiana. O primeiro ponto questionável é o próprio método rawlsiano, visto que para os comunitaristas não é possível essa “razão instrumental pura” formular princípios de justiça, pois a própria constituição do individuo, em quanto ser social, se dar no âmbito de uma determinada comunidade. Assim, o seu método não teria saído do formalismo vazio kantiano que tenta chegar a máximas universais. Esse é a grande crítica de MacIntyre a tradição liberal: todos tentaram universalizar e justificar a moral racionalmente abandonando a noção de bem comum, telos, e virtudes trabalhadas no mundo grego. Para o comunitarista a noção de bem comum, que proporcionaria a boa aos integrantes de uma comunidade, deve ser resgatada para que os indivíduos possam viver em uma sociedade “justa.” Deve-se salientar que para os comunitaristas a própria noção de bem nasce no interior, visto que os integrantes de uma determinada internalizam determinadas concepções cultivadas ao longo da história. Se de um lado os liberais não levam em consideração a historicidade dos indivíduos na hora da formulação de princípios de justiça, os comunitaristas dizem não ser possível pensar o bem da mesma não levando em consideração a história desses indivíduos. Na questão foi pedido que ao final da exposição conceitual referente às duas linhas de pensamento expuséssemos nossas impressões a respeito do debate. Acredito que as suas posições possuem problemas, no entanto, a alternativa mais viável ainda continua senso, a meu ver, a dos comunitaristas.

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  9. Enquanto os defensores da posição liberalista querem salvar a validade universal dos princípios jurídico políticos que eles reclamam, separando-os da resposta à questão sobre o bem, os defensores do comunitarismo ao contrário, vinculam as questões sobre a justiça política à questão sobre a eudaimonia. Enquanto o liberalismo político sobrepõe o justo sobre o bem, sendo "justo" o mecanismo da exaltação da moral abstrata, e o "bem" uma idéia de construção da lei, não se importando assim com os fins, mas sim com os meios (o processo de sua criação), o comunitarismo sobrepõe o bem sobre o justo, onde o bem é a justiça, e o justo o mecanismo (os procedimentos). Assim, o comunitarismo visa os fins alcançados, através de ações praticadas em função da construção do bem, do social.

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  10. Os liberais afirmam que o deslocamento do bem para o justo foi um progresso, pois propicia uma justificação moral mais sólida do que a antiga, visto que independe de pressupostos empíricos e melhor se adequa a um mundo com uma pluralidade de concepções de bem. Já os comunitários adotam uma posição teleológica, defendendo a prioridade do bem sobre o justo.

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  11. Para os liberais a principal característica do homem é ser livre. Cada ser é visto como indivíduo que busca sua felicidade, o seu bem viver. Para isso os homens vivem uma espécie de contrato ( o Estado) que garanta seu direito à liberdade. A justiça deve ser portanto igual para todos, procurando encontrar bases consensuais para legitimar normas e valores, o homem deve abster-se de qualquer concepção de bem próprio em prol de uma neutralidade que valide a concepção de justiça para o liberalismo. Mas a questão comunitarista é: como pode se dá essa neutralidade já que o homem é fruto do seu tempo e espaço?

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  12. Aluna: Maria Gomes Fernandes

    Neste debate acerca do Liberalismo versus Comunitarimo, o que se pode destacar com maior facilidade é a distinção entre bem e justo, público e privado defendidos por estas correntes filosóficas como elementos importante para que se possa estabelecer uma teoria ética no âmbito da vida política de uma sociedade. Para tanto, alguns filósofos políticos desenvolveram teorias no sentido de resolver questões éticas ligadas a vida pública dos indivíduos, de maneira que os filósofos liberalistas valorizam a liberdade e os direitos individuais, enquanto que, àqueles defensores do comunitarismo tendem a uma homogeneização e poderosas formas de união visando mais igualdade e participação. Portanto, após feito algumas leituras de autores políticos podemos perceber que para se obter um Estado ético e democrático é preciso muito mais que meros conceitos formais estabelecidos nestas supostas teorias destes autores que compõem a filosofia política, pois sabemos que na prática as teorias funcionam bem diferente.

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  13. Devido a multiplicidade de valores morais presentes no mundo moderno em que a noção de bem competem, os liberalistas dizem não haver um bem capaz de ser adotado por todos. Essa posição dos liberalistas vem para defender o respeito às diferentes formas de vida. Para os liberais, à sociedade cabe facilitar o plano de vida seguindo os princípios de igualdade, não tem uma noção particular de bem, ela é governada pela lei, regulada pelo princípio de justiça. Eles se pautam em Kant que segue a lei moral, que tem seu fundamento na racionalidade. Já os comunitaristas partem dos pressupostos de Aristóteles ao afirmar que as virtudes são necessárias para se alcançar um ideal de vida. Dizem que não há individuo que pré-exista à sociedade. Os indivíduos não estão separados da vida comunitária. A sociedade é uma construção de costumes, tradições e contextos. As práticas liberais parecem não ter história, o individuo é totalmente livre de engano, ele se insere na sociedade aceitando as obrigações impostas. Enquanto as teorias liberais priorizam o justo sobre o bem; os comunitaristas, ao contrário, priorizam o bem sobre o justo. Em um primeiro momento a percepção que a gente tem é que a busca do justo é o melhor caminho, visto que enquanto a busca do bem é objeto do meu desejo pessoal, é busca do meu bem, da minha felicidade através do exercício da virtude que me levaria a uma melhor forma de vida; o justo diz respeito a como devo agir, não levando em conta os meus desejos e felicidade particular, mas um agir que conduz o homem ao dever, não um agir para chegar ao céu, ou com uma finalidade qualquer.

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